A calmaria das margens da Represa de Jurumirim, um dos principais cartões-postais de Avaré e região, contrasta com a movimentação financeira que chamou a atenção do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol). Isso porque, em meio a um esquema que investiga fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), a venda de dois terrenos na cidade se tornou uma peça chave para a investigação.
De acordo com relatórios da polícia, obtidos pelo jornalismo do SBT, uma transação imobiliária realizada em 29 de julho de 2024, no valor de R$ 2,93 milhões, acendeu o sinal de alerta dos investigadores. A negociação envolveu a venda de duas propriedades localizadas na represa de Avaré e foi analisada com “especial atenção” por apresentar características típicas de lavagem de dinheiro .
Os terrenos foram vendidos pela Insight Participações, empresa ligada a um primo de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”. O comprador foi o Arion Fundo de Investimento Imobiliário. O que torna a operação suspeita, segundo a polícia, não é apenas o valor expressivo pago à vista, mas o histórico das pessoas envolvidas.
Mohamad Mourad está foragido desde agosto de 2025, quando se tornou alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga fraudes bilionárias no setor de combustíveis. Seu nome também consta no organograma mais recente da cúpula do PCC, divulgado pelo SBT, que reúne cerca de 100 integrantes da facção.
Além disso, a investigação revela que o imóvel em Avaré é utilizado por uma parente de Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Foragido, Beto Louco é apontado pelos investigadores como integrante da chamada “máfia dos combustíveis” e possui ligações diretas com o PCC.
BANCO MASTER – A lupa da polícia também se voltou para a rota do dinheiro. O pagamento da negociação foi realizado em parcela única, com recursos transferidos de uma conta do Banco Trustee. A instituição está na mira das autoridades e pode ser extinta pelo Banco Central devido a suspeitas de envolvimento no escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O valor foi recebido pelo BK Banking, outra instituição financeira investigada na Operação Carbono Oculto. Com sede na Avenida Faria Lima, em São Paulo, o BK Banking também é citado em investigações que apuram esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo organizações criminosas.
Apesar da tentativa de acordo, os investigadores do Dipol afirmam que os relatórios de inteligência já são suficientemente robustos.
As movimentações atípicas, a ligação com integrantes da máfia dos combustíveis e a negociação envolvendo os bancos investigados, que teve como palco a tranquila Represa de Jurumirim, em Avaré, são apontadas como evidências concretas da associação do empresário com a facção criminosa.
Nota da Redação:
A reportagem do SBT News destaca que o nome de Mohamad Mourad consta no organograma da cúpula do PCC e que a Polícia Civil de São Paulo já possui evidências suficientes para indicar a ligação entre o investigado e a facção criminosa. A defesa de Mohamad não foi localizada para comentar o teor das investigações. O espaço permanece aberto para manifestações.
Com informações do SBT News













