A recorrência de vazamentos e do despejo de esgoto no Lago Bertha Bannwart, na região da Brabância, em Avaré, voltou a provocar cobranças durante a sessão da Câmara Municipal realizada na segunda-feira, 10. O vereador Jairinho do Paineiras afirmou que o problema ultrapassou a questão da vegetação no lago e acusou a Sabesp de não apresentar uma solução definitiva para os episódios de extravasamento.
Segundo o parlamentar, imagens registradas no dia 8 de agosto mostram grande quantidade de água, que ele classificou como esgoto, sendo despejada diretamente no lago. Jairinho afirmou que fez questão de apresentar um vídeo recente para afastar a possibilidade de que as imagens fossem antigas.
A situação, segundo Jairinho, preocupa principalmente os pescadores que frequentam o local. O vereador afirmou que cerca de 100 pessoas estariam mobilizadas em torno da questão e criticou a falta de uma solução para os vazamentos. “Até quando nós vamos deixar esse descaso feito pela Sabesp?”, questionou.
O parlamentar ressaltou ainda que não poderia afirmar que o lago já esteja contaminado, mas alertou para o risco de agravamento do problema caso os despejos continuem.
“Eu não estou aqui dizendo que está poluído, mas se deixar, vai poluir. Isso vai virar um Tietê”, declarou.
COBRANÇA – Durante o pronunciamento, Jairinho informou que apresentou requerimento à Sabesp e à Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) em busca de providências para o problema.
O vereador também defendeu uma atuação conjunta dos parlamentares e afirmou que, caso não haja uma resposta efetiva, a Câmara deverá adotar medidas mais contundentes.
Jairinho ainda reproduziu durante a sessão um áudio atribuído ao secretário municipal de Meio Ambiente, Judésio Borges, que reconhece a recorrência dos episódios de extravasamento de esgoto no lago.
Na gravação, o secretário afirma que a pasta tem acompanhado a situação e que faria uma nova denúncia sobre o caso, mencionando a necessidade de atuação dos órgãos ambientais e de fiscalização.
Para Jairinho, no entanto, a sucessão de episódios demonstra que as medidas adotadas até agora não foram suficientes. “Essas pessoas que aqui estão, que utilizam lá das pescarias, não podem pagar por uma incompetência dessas”, afirmou.
Hidalgo cobra documentos e fala em Ministério Público
O vereador Hidalgo de Freitas também se manifestou sobre o Lago Bertha Bannwart. Ele lembrou que outros parlamentares já haviam apresentado requerimentos à Sabesp, à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e ao próprio município para cobrar providências relacionadas à infraestrutura, conservação, limpeza e iluminação do espaço.
Hidalgo direcionou parte da cobrança à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Ao comentar o áudio apresentado por Jairinho, o vereador questionou o uso da expressão “que tristeza” pelo secretário para se referir à situação do lago.
Segundo Hidalgo, a preocupação maior deveria estar nos moradores e frequentadores que convivem diariamente com os impactos provocados pelo problema.
“Essa tristeza são dessas pessoas que estão ali diariamente, os moradores que vivem com o mau cheiro, com o tamanho descaso da Sabesp. Isso sim é tristeza!”, afirmou.
O vereador também questionou quais providências foram tomadas pela secretaria ao longo dos anos para cobrar a solução do problema.
Hidalgo solicitou o envio à Câmara de documentos, laudos, ofícios e demais registros relacionados às medidas adotadas pelo município, incluindo eventuais notificações à Sabesp, comunicações à Cetesb e à Arsesp e respostas recebidas dos órgãos.
Ele afirmou que pretende aguardar a documentação até o fim da semana. Caso os documentos não sejam apresentados, disse que poderá encaminhar a questão ao Ministério Público.
PROBLEMA ANTIGO – Durante o pronunciamento, Hidalgo destacou que a situação do lago não seria recente. Para o vereador, é necessário apresentar quais medidas concretas foram tomadas nesse período para solucionar os problemas registrados no local.
A cobrança ocorre em meio a outras manifestações de vereadores sobre as condições do Lago Bertha Bannwart. Além dos episódios de extravasamento apontados pelos parlamentares, também foram citados problemas relacionados à limpeza, à vegetação, à infraestrutura e à iluminação do espaço.
A discussão agora deve avançar para a cobrança de documentos e respostas dos órgãos envolvidos. Os vereadores defendem que a solução seja apresentada antes que os despejos recorrentes provoquem danos ambientais mais graves ao lago e prejudiquem ainda mais moradores, pescadores e demais frequentadores da área.









