A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (30), a terceira fase da operação que investiga supostos crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio envolvendo pessoas ligadas ao grupo político do prefeito afastado de Ourinhos, Guilherme Gonçalves (Podemos). A nova etapa teve como foco endereços de familiares do vereador João Vitor Gonçalves da Silva (PP), irmão do chefe do Executivo, além de servidores públicos vinculados à administração municipal.
As investigações são conduzidas no âmbito de um inquérito que apura suspeitas relacionadas à gestão da 56ª Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos (FAPI). João Vitor havia sido afastado do mandato em maio deste ano durante a primeira fase da operação, sob suspeita de peculato e lavagem de dinheiro.
No entanto, em 8 de julho, o vereador retornou ao cargo após decisão unânime da 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Os desembargadores entenderam que, embora existam elementos suficientes para justificar a continuidade das investigações, não havia, naquele momento, demonstração de que sua permanência no Legislativo pudesse comprometer a produção de provas ou representar risco à ordem pública. O acórdão, contudo, ressalvou a possibilidade de novas medidas cautelares caso surjam fatos novos.
Nesta terceira fase da operação, policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis ligados a familiares do parlamentar e a servidores municipais. Também foi determinado pela Justiça o sequestro de quatro imóveis localizados na região.
Segundo a Polícia Civil, há indícios de que parte desses bens tenha sido adquirida mediante pagamentos em dinheiro em espécie, circunstância que integra a linha investigativa sobre eventual ocultação de patrimônio e lavagem de capitais.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam uma caminhonete GM S10 prata, registrada em Cambará (PR), um Citroën Aircross Live vermelho, emplacado em Curitiba (PR), além de aparelhos eletrônicos, documentos, uma arma de fogo, munições, entorpecentes e uma balança de precisão.
As diligências também resultaram em duas prisões em flagrante. Conforme a Polícia Civil, um homem foi detido por tráfico de drogas após a localização de crack durante buscas em um imóvel. Outro servidor público acabou preso por posse irregular de arma de fogo.
A corporação ressaltou, entretanto, que os flagrantes por tráfico de drogas e posse irregular de arma decorreram exclusivamente do material encontrado durante o cumprimento dos mandados e não possuem relação direta com a investigação principal envolvendo o vereador.
Todo o material apreendido será submetido à perícia. O inquérito permanece sob segredo de Justiça, e a Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para esclarecer a origem dos bens e eventual responsabilidade dos envolvidos.
Em nota, a corporação afirmou que a operação possui natureza cautelar e reiterou que todas as medidas observam o devido processo legal, o direito ao contraditório, à ampla defesa e o princípio constitucional da presunção de inocência.






