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JENNIFER FOI MORTA COM REQUINTES DE CRUELDADE, DIZ POLÍCIA CIVIL EM COLETIVA DE IMPRENSA EM AVARÉ; CRIME FOI MOTIVADO POR “VONTADE DE MATAR”

editor Por editor
18 de agosto de 2026
em Avaré
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JENNIFER FOI MORTA COM REQUINTES DE CRUELDADE, DIZ POLÍCIA CIVIL EM COLETIVA DE IMPRENSA EM AVARÉ; CRIME FOI MOTIVADO POR “VONTADE DE MATAR”

Quase cinco anos depois da morte de Jennifer Eduarda, de 18 anos, a Polícia Civil de Avaré conseguiu reconstruir com novos detalhes a sequência de violência que resultou na morte da jovem, em setembro de 2021. Segundo a investigação, Jennifer foi escolhida aleatoriamente e assassinada com extrema violência, em uma ação que envolveu facadas no pescoço e no abdômen, golpes na cabeça com uma barra de ferro e novos ataques com faca. Depois, o corpo ainda foi transportado e queimado pelos envolvidos.

Os detalhes foram apresentados nesta segunda-feira (17), durante coletiva de imprensa realizada na Delegacia Seccional de Polícia de Avaré. Participaram o delegado seccional de Avaré, Dr. Fabiano Ribeiro Ferreira da Silva; o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Dr. Adriano Leite de Assis; o coordenador do Centro de Inteligência Policial (CIP), José Manhez Filho; o chefe dos investigadores da Seccional de Polícia de Avaré, Alexandre Novaes Costa Aurani; e o investigador-chefe da DIG de Avaré, Mário Celestino.

A nova versão dos fatos foi obtida principalmente a partir do depoimento de uma mulher que admitiu participação no crime e de informações confrontadas pelos investigadores com outros elementos da apuração.

De acordo com a Polícia Civil, Jennifer não teria sido morta por uma vingança, dívida ou desavença. Ela teria sido escolhida simplesmente por estar sozinha e ser considerada uma vítima fácil.

Uma morte marcada pela violência

Segundo o relato apresentado aos investigadores, Jennifer estava na região central de Avaré na noite do crime. Ela teria sido abordada pelos envolvidos e posteriormente levada para uma área rural.

No local, enquanto conversava com a mulher que posteriormente confessou participação no homicídio, Jennifer teria sido atacada por um rapaz que tinha 18 anos na época.

Ele teria desferido uma facada no pescoço da jovem, que estaria embriagada. Na sequência, a faca teria sido entregue à mulher, que, segundo seu próprio depoimento, golpeou Jennifer outras três vezes no abdômen.

Mesmo ferida, a violência não teria terminado. O namorado da mulher teria utilizado uma barra de ferro para atingir Jennifer na cabeça. Depois, o rapaz que havia dado a primeira facada teria voltado a atacá-la, desta vez com outra faca, desferindo diversos golpes na região da cabeça.

A sequência de agressões teria provocado o traumatismo cranioencefálico apontado no exame necroscópico como causa da morte.

A brutalidade descrita na nova investigação também ajuda a explicar por que a perícia realizada na época encontrou dificuldades para reconstruir integralmente a dinâmica do homicídio. O corpo foi localizado dias depois e posteriormente a investigação apontou que ele havia sido carbonizado.

Corpo foi levado e queimado

Depois da morte, os envolvidos teriam colocado o corpo de Jennifer em um veículo e o levado até a área onde posteriormente seria localizado. O grupo, no entanto, teria retornado ao local durante a madrugada.

Segundo a investigação, um dos envolvidos percebeu que havia esquecido os óculos na área onde o crime aconteceu. Por volta das 5 horas da manhã, eles teriam voltado ao local.

Antes disso, passaram por um posto de abastecimento e conseguiram combustível. Ao retornarem, teriam jogado o produto sobre o corpo de Jennifer e ateado fogo.

A carbonização dificultou ainda mais a identificação de vestígios e a reconstrução da dinâmica do assassinato. O corpo da jovem foi localizado em 30 de setembro de 2021, seis dias depois de seu desaparecimento.

Jennifer havia sido vista pela última vez em 24 de setembro.

Jovem teria sido escolhida aleatoriamente

A Polícia Civil afirma que os envolvidos não mantinham relação de amizade próxima com Jennifer.

Segundo o depoimento considerado central para a nova fase da investigação, eles a conheciam apenas de vista e frequentavam a região central da cidade, onde costumavam vê-la.

A motivação apresentada é especialmente grave: os envolvidos teriam decidido matar alguém para saber qual era a sensação de tirar a vida de uma pessoa.

A mulher e o namorado, então com 23 anos, teriam discutido a ideia e posteriormente chamado um terceiro homem, que tinha 18 anos na época. Ele teria concordado em participar.

A investigação aponta, portanto, que Jennifer teria sido escolhida de maneira aleatória, por estar sozinha naquela noite.

Vestígio encontrado na cerca pode ser esclarecido

Um detalhe encontrado pela perícia ainda em 2021 ganhou novo significado durante a investigação atual. Na cerca existente na propriedade onde o corpo foi localizado foram encontrados vestígios semelhantes a cabelos. Na época, não havia uma explicação definitiva para o material.

Durante seu novo depoimento, entretanto, a mulher que confessou participação afirmou que usava cabelo sintético na noite do crime e que parte dele teria ficado presa na cerca enquanto passava pelo local.

A Polícia Civil pretende solicitar um laudo complementar para verificar se o material encontrado é compatível com a nova versão.

Polícia descarta violência sexual

Outro ponto esclarecido durante a coletiva foi a possibilidade de Jennifer ter sofrido violência sexual.

Segundo o depoimento apresentado pela Polícia Civil, não houve estupro. A investigação atual aponta que a violência praticada contra a jovem esteve relacionada diretamente à execução e às agressões que provocaram sua morte.

Pacto de sangue após o crime

Depois do assassinato, os envolvidos ainda teriam tomado medidas para impedir que o caso fosse revelado.

Segundo a mulher que confessou participação, ela e o namorado fizeram um pacto de sangue para que nenhum dos dois contasse o que havia acontecido.

A mulher teria se ferido na mão durante o pacto. Dois dias depois do homicídio, procurou atendimento em um pronto-socorro.

A Polícia Civil confirmou a passagem dela pela unidade de saúde e passou a utilizar essa informação como mais um elemento para confrontar seu depoimento.

Ela também teria relatado que o namorado chegou a sugerir que outra pessoa fosse morta posteriormente de maneira semelhante, mas a proposta não teria sido aceita.

Investigação levou quase cinco anos até chegar à nova versão

A morte de Jennifer foi investigada desde 2021. Nos primeiros meses, a Polícia Civil analisou os últimos passos da jovem e chegou a trabalhar com a hipótese de que ela tivesse entrado em um HB20 branco na região central.

Imagens de segurança mostraram a jovem entrando no veículo e posteriormente sendo deixada novamente na região. O comportamento chamou a atenção dos investigadores e resultou em diligências e medidas cautelares.

Apesar disso, não foram encontrados elementos técnicos suficientes para estabelecer a ligação dos ocupantes daquele veículo com o homicídio. A investigação permaneceu aberta.

No final de 2025, uma denúncia anônima pelo disk denúncia (181), apresentou aos policiais os nomes de pessoas que poderiam ter envolvimento no crime. A informação deu um novo rumo à apuração.

A DIG passou a analisar os suspeitos, realizou diligências, pesquisas e medidas autorizadas judicialmente e identificou fatos que chamaram a atenção dos investigadores.

Os dois homens apontados na nova linha de investigação foram chamados para prestar depoimento em 13 de agosto. Segundo a Polícia Civil, eles permaneceram por mais de quatro horas na delegacia e apresentaram versões consideradas contraditórias.

Os aparelhos celulares foram apreendidos para análise.

No dia seguinte, a mulher retornou espontaneamente à delegacia e decidiu confessar sua participação. Seu relato permitiu aos investigadores reconstruir a sequência do homicídio e confrontar as informações com testemunhos e outros elementos obtidos durante a apuração.

Pacto de sangue

A mulher revelou ainda que, dias depois do crime, ela e os dois homens fizeram um pacto de sangue para que nunca contassem o que ocorreu e para que não terminassem o relacionamento. Ela acabou ferindo a mão durante o ritual e precisou ir ao pronto-socorro, informação que a polícia já confirmou com a unidade de saúde.

Segundo a mulher, o namorado dela chegou a sugerir que matassem outra pessoa da mesma forma, mas ela não concordou. O arrependimento teria sido o motivo de sua delação: “ela falou que desde então não tem mais paz, que está muito arrependida”, relatou o delegado Adriano.

Dois presos e investigação ainda em andamento

Os dois homens foram presos temporariamente no sábado (15), após decisão judicial. Segundo a Polícia Civil, ambos admitiram participação no crime, embora tenham apresentado versões diferentes sobre a responsabilidade de cada um.

Um deles tentou inicialmente minimizar sua participação e afirmou que teria apenas ajudado no transporte do corpo. O outro alegou ter sido pressionado pelo homem mais velho e afirmou que teria participado sob ameaça.

A Polícia Civil, entretanto, afirma que os depoimentos dos envolvidos e os demais elementos reunidos apontam para a participação dos três.

A mulher que confessou integralmente o envolvimento permanece em liberdade e, segundo os investigadores, está colaborando com a apuração. A Polícia Civil informou que, neste momento, não considera necessária a prisão cautelar dela.

As prisões dos dois homens são temporárias, pelo prazo de 30 dias. Durante esse período, a investigação continuará e a Polícia Civil poderá representar pela prisão preventiva dos envolvidos.

Quase cinco anos depois, o caso começa a ter sua dinâmica esclarecida.

A investigação aponta que Jennifer foi atraída para uma área rural, atacada com uma facada no pescoço, atingida três vezes no abdômen, golpeada na cabeça com uma barra de ferro e novamente atacada com uma faca. Depois de morta, teve o corpo transportado e queimado em uma tentativa de eliminar vestígios.

Para a Polícia Civil, a denúncia anônima foi fundamental para mudar o rumo da investigação, mas o esclarecimento do caso também foi resultado da continuidade das diligências ao longo dos anos.

A apuração permanece aberta para esclarecer individualmente a conduta de cada envolvido, confirmar os elementos obtidos e concluir o inquérito policial.

A importância da denúncia anônima

As autoridades enfatizaram que a denúncia anônima foi o fator decisivo para a solução do caso. “Mais uma vez, falamos da importância da denúncia anônima. Ela deu um novo norte à investigação”, destacou o delegado Adriano.

O delegado Fabiano complementou: “Na polícia, o criminoso tem que ter sorte todo dia. A polícia precisa de um dia só de sorte. Tivemos o nosso dia de sorte, graças a Deus.”

A Polícia Civil afirmou que o caso nunca foi arquivado e que a persistência da equipe foi fundamental para o desfecho. Agora, a investigação segue para a fase de representação pela prisão preventiva dos envolvidos, enquanto a Justiça analisa os pedidos.

“Apesar dos quase cinco anos, o importante é destacar que a Polícia Civil nunca desistiu desse caso”, concluiu o delegado Fabiano.

Confira o vídeo da coletiva clicando AQUI!

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