O município de Itaí realizou, na quinta-feira (20), uma cerimônia solene em homenagem às 42 vítimas do acidente de ônibus ocorrido em 2020. O ato, que marcou os cinco anos da tragédia, aconteceu no memorial construído especialmente para lembrar os trabalhadores itaienses, na Praça da Bandeira, no centro da cidade.
A solenidade, que começou às 9h, contou com a presença de familiares, amigos das vítimas, autoridades locais e líderes religiosos. O prefeito José Ramiro, o Padre João Víctor e o Pastor Luciano Moraes dirigiram palavras de conforto, homenagem e reflexão ao público presente, em um momento de união e respeito.
A tragédia que motiva a homenagem anual aconteceu no dia 25 de novembro de 2020, na Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho (SP-249), próximo ao município de Taguaí. Um ônibus que transportava trabalhadores de Itaí se envolveu em um acidente fatal, ceifando a vida de 42 pessoas.
Para perpetuar a memória dos que se foram, a administração municipal, em concordância com as famílias, ergueu o memorial na principal praça da cidade. O local tornou-se um ponto de peregrinação e um símbolo de lembrança, onde a comunidade pode honrar seus entes queridos.
A data de 25 de novembro tornou-se um marco no calendário da cidade. Anualmente, a comunidade e as autoridades se reúnem no local do memorial para realizar homenagens e promover momentos de reflexão, demonstrando que as vítimas e suas famílias jamais serão esquecidas.
TRAGÉDIA – A batida entre o ônibus e o caminhão aconteceu às 6h35 do dia 25 de novembro de 2020, no quilômetro 172 da Rodovia Alfredo de Oliveira Carvalho, em Taguaí. Com o impacto, o caminhão bitrem, que levava uma carga de esterco, invadiu uma propriedade rural, e várias vítimas foram arremessadas do ônibus e ficaram amontoadas na pista.
Ao todo, 37 mortes foram confirmadas no local do acidente e os feridos foram encaminhados para três hospitais em Taguaí, Fartura e Taquarituba. De 15 sobreviventes socorridos após a batida, quatro morreram antes de dar entrada nos serviços de saúde. A 42ª vítima morreu no dia 29 de novembro, em um hospital de Avaré.
Já no caminhão havia dois motoristas, e o homem que dirigia o veículo morreu na batida. Ele não tinha habilitação para dirigir caminhões e, por isso, havia contratado um ajudante, que sobreviveu ao acidente.
RESPONSABILIDADES – O passageiro do bitrem que sobreviveu ao acidente afirmou que o ônibus tentou ultrapassar outro caminhão e invadiu a contramão em um trecho de faixa contínua. Conforme o relato de um sobrevivente, a maioria dos passageiros estava sem cinto de segurança e dormia na hora da batida.
Já o motorista do ônibus disse, para a polícia e em entrevistas, que não tentou ultrapassar outro veículo no trecho onde era proibido e que houve uma falha no freio do ônibus. O homem alegou que, por isso, teve que jogar o ônibus para o lado para não colidir com o veículo que estava à frente.
Em fevereiro de 2021, o motorista do ônibus foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A Polícia Civil chegou a essa conclusão depois de receber um laudo, que aponta que não houve falha nos freios.
A polícia também indiciou a dona da empresa de ônibus Star Turismo por causa das más condições do veículo e exercício irregular da profissão, já que a empresa não tinha licença para o transporte de passageiros.
Os donos das três fábricas para as quais os passageiros trabalhavam, e para onde seguiam quando houve o acidente, também foram indiciados porque eram responsáveis pela contratação do ônibus.
Apesar dos indiciamentos, o inquérito voltou ao distrito policial a pedido do Ministério Público, e a promotoria aguarda a conclusão das diligências para oferecer as medidas judiciais pertinentes.
Além do inquérito da Polícia Civil, o Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu uma investigação contra as empresas envolvidas no acidente. Quase um ano depois da batida, o órgão fechou um acordo com as três empresas envolvidas, que se comprometeram a indenizar em R$ 39 mil as famílias de 40 trabalhadores.
Apesar disso, o termo ainda garante que os familiares entrem com reclamação trabalhista para discutir judicialmente a possibilidade de valores maiores para reparação.










