A sessão da Câmara de Vereadores de Avaré, realizada na segunda-feira (16), subiu de temperatura após uma declaração da vereadora Adalgisa Ward (Podemos) disparar um gatilho de revolta no vereador Francisco Barreto (PT). O parlamentar não escondeu sua irritação ao ser indiretamente rotulado como “forasteiro” e exigiu respeito àqueles que, como ele, adotaram a cidade como lar.
O mal-estar começou quando Adalgisa Ward, ao defender sua atuação parlamentar, utilizou sua naturalidade avareense como um selo de superioridade no compromisso com o município. “Eu, avareense que sou, eu luto pela tradição da cidade. Eu não sou forasteira, eu nasci em Avaré, então, eu tenho obrigação de lutar pela minha cidade”, disparou Adalgisa.
Barreto, que nasceu no interior do Ceará e passou parte da juventude em Osasco antes de fincar raízes em solo avareense, confrontou a vereadora.
“A senhora, talvez de uma forma não maldosa, mas a senhora ofendeu a muitos forasteiros que vieram para essa cidade fazer a grandeza dessa cidade de Avaré, muitos. Inclusive, aqui dentro desse plenário, tem dois forasteiros. Sou eu, que nasci no interior do Ceará, vim com 12 anos para Osasco, morei 17 anos em Osasco e faz 33 anos que moro em Avaré, e eu tenho 63 anos”, rebateu o vereador.
“50% da minha vida dedicada a essa cidade, que me acolheu com amor, com carinho, e aqui eu quero ser sepultado. Aqui eu tenho certeza que os meus familiares, quando eu morrer, vão me sepultar aqui nesse lugar, porque eu escolhi Avaré para criar meus netos e para aqui morrer. Então, eu espero que a senhora, na próxima sessão, peça desculpas para todos os forasteiros que vêm para essa cidade. Inclusive, a senhora já votou vários títulos aqui nessa cidade de forasteiro. Me sinto um cidadão avareense, amo essa cidade, trabalho para essa cidade. Então, não me desqualifique como cidadão aqui dessa cidade”, finalizou Barreto.
POLÊMICAS – Esta não é a primeira vez que as falas da vereadora Adalgisa Ward geram forte repercussão.
Em 2017, ela enfrentou um processo de cassação após chamar uma servidora de “cabeça de bacalhau”, caso que terminou em arquivamento por apenas um voto.
Já em julho de 2019, durante entrevista a um programa de TV, Adalgisa disse que teria medo de levar aparelhos eletrônicos para a periferia com medo de ser assaltada. “Se eu levo alguma coisa tecnológica, eu tenho medo de ser assaltada, porque eu vou para os bairros, pro Paraíso, Vera Cruz, Camargo, em todos os bairros, então eu tenho um pouco de medo de ficar com aparelho eletrônico”, disse na época.
Mais recentemente, em 2025, Adalgisa envolveu-se em uma polêmica ao publicar um vídeo nas redes sociais questionando publicamente a instalação de um circo em frente a uma escola.
Na época, o proprietário do circo, Douver Adriano, disse que o vídeo prejudicou a imagem do circo na cidade. “A forma que ela colocou deu a impressão que o circo tem bandido. O circo, então, tem perigo. Qual o perigo que o circo tem por ter montado em frente a uma escola?”, questionou, enfatizando que a repercussão negativa causou uma queda no público e inviabilizou a continuidade das apresentações.
O circo acabou deixando a cidade após o episódio.









